Simplicidade, alma e amor ao fado.

“Ser fadista foi meu sonho”

Aos 5 anos revelou-se o dom de cantar: Figueira da Foz.
Aos 10 anos ganha o Festival Distrital de Viseu: Feira de São Mateus.
Aos 14 anos cria um grupo coral com jovens adolescentes: Terra natal.
Aos 18 anos ganha o Festival da Universidade Católica: Viseu.

Embora sempre estivesse envolvida nas cantorias, nada fazia prever que aos 25 anos se apaixonasse pelo fado. Não havia antecedentes na família que tivessem evidenciado ou alertado para este género musical. Mas é um facto. Desde criança sempre ouvia a sua mãe cantar os fados da Amália aquando das suas lides domésticas, algo que a marcou profundamente despertando-lhe porventura o “bichinho pelo fado”.
Cantou em vários eventos culturais, festivais da canção, festas de aniversário, convívios… E do alto dos seus 16 anos chegou a pertencer a uma banda musical de rock, bem conhecida em Viseu, constituída pelos irmãos Maninhos (Músicos gémeos), onde actuou em festas da cidade, nomeadamente no centro histórico, da conhecida “Praça da Erva”. Contudo, obrigações escolares e outros constrangimentos fizeram-na mudar de rumo. Qual destino marcado, numa subconsciente ligação ao fado?! Entra então para a Universidade Católica, com a ideia do curso de gestão e aí também revela os seus dotes vocais, vencendo o festival da universidade, com a bela canção “Quimera” cujo compositor e autor da letra foi o seu colega e amigo Sérgio Sá Marques também Universitário.
Sempre cantou entre amigos, nos grupos de escuteiros, em festas particulares onde era convidada e, foi assim dando vida ao bichinho e à alma da expressão fadista. Mas sentia sempre a sensação de missão não cumprida, algo pelo qual deveria avançar, ir mais além. E sob o impulso da vocação e do talento, veio a concretizar alguns sonhos, ou não fosse, tantas vezes, o sonho a comandar a vida!

Já com a licenciatura e a trabalhar no Grupo Visabeira como Técnica Superior de Gestão, foi convidada  pelo músico e também fadista Gabriel Carlos para cantar, com alguma frequência, na sua casa de fados, acompanhada à viola pelo mesmo e pelo guitarrista Avantino Sousa, em conjunto com outros fadistas, os viseenses e conhecidos, António Teles e Jorge Novo.
Com o entusiasmo que a caracteriza, continua a cantar em noites de fado promovidas por restaurantes das redondezas de Viseu e do distrito; motivada por amigos e alguns familiares, continuou a cantar, recolhendo experiências, aprendendo e reforçando a aptidão pelo fado.
Por razões familiares e profissionais, esteve alguns anos afastada dos palcos e do fado, embora nunca tivesse abandonado as oportunidades de mostrar os seus dons sempre que solicitada entre amigos e festas privadas.

Depois de terminar uma segunda licenciatura e se profissionalizar na área da educação, tendo conseguido uma pós-graduação, vê-se regressada à sua terra natal Viseu, para leccionar. E o destino cruzou-a com o seu guitarrista de há 20 anos atrás, o Sr. Avantino Sousa, que a motiva e incentiva para voltar a cantar, relembrando ao seu jeito “tu cantavas muito bem”; “tinhas uma voz muito bonita e nunca desafinavas”… “contigo nem eram precisos ensaios, tinhas muito bom ouvido”!
A tendência e a vontade voltaram a juntar-se…. O bichinho pelo fado despertou dentro de si novamente e começa a aprender e a ouvir cada vez mais os fados; o brilho nos seus olhos surgiu e a vontade de cantar estava-lhe na alma!

Começa então a cantar todas as noites no restaurante “Cantinho da Sé” no centro histórico da cidade, acompanhada pelo seu guitarrista de então Avantino Sousa e outros e nas violas amigos que apareciam, “o Morgado”, “o Sérgio”, “O Rui Pina”, “o Dr. Simões” "Dr.Costa, mais conhecido por (Costinha)" e elementos da Tuna académica de Viseu, entre outros. Rapidamente a cidade se lembra da menina de então, com 25 anos e lhe reconhece o talento, traduzido em casa cheia sempre que cantava. Sucesso e muito orgulho, também naqueles que faziam parte da assistência…

Por tudo isso, começa a ser convidada para cantar em vários restaurantes e em eventos particulares.
Foi convidada para participar no espectáculo de fado “Fado Solidário” na aula magna do Instituto politécnico de Viseu, onde actuou com fadistas conhecidos como a Carla Linhares, Raquel, entre outros. Em Lisboa teve o prazer de cantar com a Fadista Maria João Quadros na “Casa da Mariquinhas”.
Até que um dia a Professora de economia, e fadista como hobby, fica sem colocação e é remetida ao desemprego dada a conjuntura económica do país. Decide, então, emigrar para a Bélgica, para junto de sua filha enfermeira em Bruxelas, visando encontrar novas perspectivas de trabalho e novas esperanças para o seu talento. Neste passo para a emigração, deparou-se com um vazio enorme, pois a vontade de cantar fado era tanta e nada existia para lhe satisfazer esse desejo. Tem para além da vontade a curiosidade, a ambição e a garra de vencer. Contudo, sozinha, nada poderá fazer e tem plena consciência de que precisa de apoios… E numa busca cheia de calma e confiança descobre, entre outros, o café restaurante “Bel Porto” do Sr. David e Esposa que decidem promover uma noite de fados, tendo sido a nossa fadista convidada, acompanhada pelo guitarrista português, emigrante de muitos anos na Bélgica, de seu nome Alfredo Barros e à viola por uma belga a conhecida Ana Luísa.

Em Bruxelas é incentivada e motivada pelo free lancer Tony da Silva, a continuar a cantar e propõe-lhe a criação de um projecto de promoção e divulgação do fado na Bélgica, reconhecendo a existência desta grande lacuna, “a divulgação da identidade portuguesa traduzida através do fado”. E lá vão surgindo outros apoios, outros incentivos, outras oportunidades! Outros amigos se juntam ao projecto que começa a ganhar forma e propósitos de futuro! Tudo, porque a Goreti possui as qualidades necessárias para se tornar numa diva do Fado. Porque a Goreti merece ser promovida, apoiada, projectada… E nela a nossa portugalidade, aquilo que somos, expresso nos valores da nossa cultura e do nosso patriotismo! A Goreti está apta, preparada, para (en)cantar, “até que a voz lhe doa”, enquanto a sua voz, de incomparável timbre, lhe permitir a emissão desses tons, envolvidos de nostalgia, dedicação e muito amor ao fado!

 

Por:     Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
    Responsável sector da comunicação


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